O porquê escolhi estudar publicidade...

 


Filosofando sobre a minha vida e o porquê escolhi estudar a pulicidade ...👇



Fiquei fascinado pela forma como as pessoas usam a palavra "Publicidade" quando falam de ciência, pela transformação da palavra em "Comunicação". Perguntava-me se havia algo que eu pudesse fazer com ela. 

A publicidade é um puro essencialismo que significa algo, algo que não pode ser alterado ou arruinado. Estou a tentar encontrar uma forma de alargar isso, porque também existem outras formas de pensar sobre o significado das palavras que estão ligadas à universalidade, tais como "ontologia", "filosofia", ou "antropologia", mas estas coisas não são tão acessíveis às pessoas. 

Durante muito tempo, estive no meu pequeno espaço. Quando saí desse período, o capítulo seguinte da minha vida era estar num grupo para produzir uma peça de teatro. A minha professora em Palmas, Clarinha (Apelido carinho), deu-me um exemplar da Exposição Atrocidade e comprei imediatamente um papel para o cortar ao meio.

Abri a segunda metade do livro e decidi que, nessa segunda metade, escolheria um tema. A primeira coisa que me veio à cabeça foi o aborto e quis falar sobre como pensamos a morte e quais são as narrativas que lá estão. 

Há a narrativa terminal, que é a pró-vida; a narrativa sem fim, que é a pró-escolha; e há também narrativas menos concretas como as do maudlin, como a narrativa da possessão, onde se leva o corpo de alguém que morreu e se põe à sua frente para dizer: "Apanhei-te! Existem todos estes diferentes tipos de narrativas que tentam articular uma ligação entre o corpo e o morto. 

É muito interessante porque uma grande parte do trabalho não tem sido em relação a uma personagem ou a uma história, mas tem sido sobre a explicação científica. Tem tentado montar um quadro teórico no qual possa compreender o que estou a falar e ver o que pode ser proposto como possíveis narrativas, o que poderia ajudar as pessoas a avançar. 


Não estou aqui a tentar facilitar às pessoas a compreensão do aborto, mas sim a fazer parte de um processo onde possamos discuti-lo nos níveis mais básicos, porque não é apenas algo que resulta de uma falta de conhecimento ou de falta de educação. É algo que é mais complicado do que isso. É algo que toca no próprio cerne da identidade humana. Estamos a falar do fim das nossas vidas e da de outro ser humano. É a coisa mais importante que fazemos nas nossas vidas, e o que fazemos é precisamente o modo como pensamos sobre isso. A questão mais fundamental é que a ideia de autonomia é central para a forma como pensamos sobre a vida humana. 

Se eu tenho A forma mais extrema de subordinação, mas a expressão mais extrema de autonomia, é a do feto. É uma extensão de quem eu sou e com quem estou aqui para fazer algo, mas é como se não quiséssemos reconhecer esta noção muito básica, e fingimos que ela não existe. Portanto, há elementos de pensamento anti-colonial que entram aqui em jogo. Olhamos para um feto individual e pensamos: "É uma mercadoria". Eu posso produzi-lo, vocês podem produzi-lo, e as pessoas que o vão produzir, vão produzi-lo para mim". Há estes elementos muito importantes que vão contra a ideia de autonomia, ou soberania do indivíduo. Esta é uma questão crucial porque a autonomia é fundamental para a nossa existência, porque temos de ser os mestres dos nossos próprios corpos. Nesse sentido, é uma questão muito clássica que surge na história do pensamento anti-colonial. 

Se voltarmos à discussão entre (Martin Luther) Du Bois e (John) Stuart Mill, Mill diz que as mulheres devem ter o direito de voto. Ele diz: "Se acredita nas liberdades civis, deve dar às mulheres o direito de voto". E Du Bois diz: "Isso não é aceitável". Não vamos de modo algum passar pelo tipo de pensamento que leva a essa conclusão". E vê aqui a ligação entre autonomia e soberania. Não vamos ser a pessoa a decidir o que acontece aos nossos corpos, porque isso diminuiria a nossa humanidade. Este é um aspecto muito importante da questão. Penso que uma vez que se envolva a questão da autonomia e soberania, e se permita que a sua mente se debruce sobre estas coisas, então também poderá iniciar uma conversa sobre o que irá realmente pôr fim ao aborto. Porque nunca se pode acabar com ele.

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